A Tratada de Lisboa – Um chorinho!

 

A Europa vestiu-se ontem a rigor para dar entrada ao Tratado de Lisboa em Lisboa. Até aqui tudo bem, já que os europeus têm que gramar com o nosso nome então nós temos que gramar com a cerimónia.

Vai daí inchamos uma bolha de plástico, estava sempre a ver quando aquilo rebentava ou se evaporava no espaço, metemos todo o pessoal lá dentro, umas assinaturas, uns discursos e umas músicas para alegrar a coisa… o quê, disse alegrar?

Pois! Então não é que numa cerimónia em que se pretendia marcar um novo rumo de optimismo e coragem no futuro, vão escolher, em parte, um tipo de música que estava mais para requiem.

Aviso desde já que gosto muito do Rodrigo Leão, mas escolher o seu reportório, pelo menos aquele, melancólico, triste, cheio de fado e de perdas, para um momento que se quer alegre e de celebração, não parece boa escolha. Se estivéssemos ali a enterrar a Europa, então sim, para velório aquilo estaria bem. Ou será que já foi um presságio do que vai ser este Tratado e eu é que não vi?

Porque será que na cultura, e ainda mais na solene, temos medo da alegria? Porque é que achamos sempre que uma coisa para ser sóbria tem que ser melancólica? Imagino esta cerimónia na mão de uns brasileiros, no fim já teríamos a Angela Merkle a fazer um comboiozinho com o Sarkozy e abanar as ancas ao som de um pi, pi, pi, qualquer.

Para a próxima convidem os Deolinda, que com o seu Agora Sim é que vai ser, Agora Não que me dói a barriga, fizeram o verdadeiro hino à Europa dos políticos, ou seja, a este e a todos os tratados que ficam nas meias tintas.

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